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Flávio em Xeque
Foto: Lula Marques/Agência Brasil.
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A tentativa de Flávio Bolsonaro (PL) de ampliar o desafio pela abertura dos sigilos bancários mudou de direção nesta quinta-feira (22). Depois de responder à proposta de Lula (PT) com uma lista de 19 exigências envolvendo familiares, empresas, antigos auxiliares, o Instituto Lula e gastos da Presidência, o candidato do PL viu o adversário aceitar todas as condições e formalizar a resposta no Tribunal Superior Eleitoral.

Com isso, a principal questão deixou de ser se Lula aceitaria ampliar o alcance da exposição de seus dados e passou a ser quando Flávio fará o mesmo e quais empresas efetivamente estarão incluídas na abertura de seus sigilos.

Representantes das duas campanhas foram ao TSE na manhã desta quinta-feira (22). A equipe de Lula apresentou a resposta concordando com as condições impostas por Flávio. Já a defesa do candidato do PL informou que seus dados só serão disponibilizados depois de verificar se Lula entregou integralmente aquilo que foi exigido. O senador Deltan Dallagnol foi escalado pela campanha para analisar os documentos apresentados pelo petista.

A mudança de posição na disputa começou no domingo (18), durante o debate da Band. Lula propôs que ambos divulgassem seus dados financeiros e telefônicos. Dois dias depois, transformou o desafio em uma petição apresentada ao TSE, autorizando a divulgação de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos oito anos, além das informações de Janja, dos cinco filhos e de sua empresa L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações.

O documento também propôs reciprocidade para Flávio: dados do candidato, de familiares e de empresas das quais fosse sócio, administrador, responsável financeiro ou “usuário-master” de contas bancárias. Foi nesse ponto que a campanha de Lula incluiu a Alcazar Holdings, offshore registrada na Ilha da Madeira e ligada ao advogado Willer Tomaz.

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Flávio respondeu aumentando consideravelmente a extensão do desafio. Na petição protocolada na quarta-feira (21), autorizou a abertura de seus próprios sigilos por 20 anos, mas condicionou a medida a 19 pedidos dirigidos ao adversário.

A lista alcança Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, sua mulher e empresas relacionadas ao filho do presidente; o Instituto Lula e Paulo Okamotto; o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola; João Vaccari Neto; Frei Chico e o Sindnapi; informações relativas à empresária Roberta Luchsinger; registros das relações do governo com Daniel Vorcaro e o Banco Master; além de gastos com cartões corporativos e informações sobre viagens e agenda de Janja.

A ampliação poderia ter criado uma barreira para a continuidade do desafio. A campanha de Lula, porém, respondeu que não se opunha a nenhuma das condições. Marcola também aceitou disponibilizar seus dados, segundo a coordenação petista. Na noite de quarta, Lula resumiu a resposta publicamente: “Desafio aceito, Flávio Bolsonaro.”

Nesta quinta, a discussão entrou em uma nova etapa. A equipe de Flávio passou a sustentar que primeiro examinará o material apresentado pelo adversário e somente depois dará prosseguimento à abertura dos dados do candidato do PL. É justamente nesse momento que uma diferença entre os dois pedidos ganha importância.

Ao informar quais empresas estariam abrangidas por sua autorização, Flávio citou quatro pessoas jurídicas das quais declara ser sócio ou administrador. A Alcazar Holdings não aparece nessa relação. A empresa havia sido incluída nominalmente no pedido de Lula devido aos registros bancários encontrados pela Polícia Federal que colocam Flávio como “usuário master” de uma conta da companhia.

A Alcazar pertence a Willer Tomaz, amigo de Flávio que passou ao centro de diferentes investigações envolvendo o mercado de apostas. Documentos encontrados pela PF indicam que os dois figuraram com acesso privilegiado à conta da empresa. Tomaz e Flávio negam manter sociedade empresarial.

A relação ganhou ainda mais relevância nesta semana. Tomaz foi identificado pelo Ministério da Fazenda como o maior apostador do país em 2025, com aproximadamente R$ 5 bilhões movimentados em apostas, e a Polícia Federal pediu investigação para apurar se Flávio teria sido sócio oculto de uma casa de apostas ligada à estrutura empresarial do advogado.

Nesse contexto, a Alcazar deixa de ser um detalhe periférico na disputa dos sigilos e passa a figurar entre as empresas cuja relação com Flávio está sob escrutínio público e cuja inclusão foi solicitada desde o primeiro documento apresentado pela campanha de Lula.

Ao aceitar todas as condições apresentadas pelo adversário, Lula esvaziou a principal barreira colocada por Flávio para avançar na abertura dos sigilos. A pressão agora recai sobre o candidato do PL: cumprir o que aceitou e explicar por que justamente a Alcazar Holdings, envolvida nas investigações sobre sua relação com Willer Tomaz, ficou fora da lista. A poucos dias do segundo turno, Flávio está em xeque.

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