Manifestantes se reuniram no Parque Vitória Régia, em Bauru, nesta sexta-feira (23/10), com o objetivo de dar visibilidade ao movimento de apoio ao presidente e candidato Luiz Inácio Lula da Silva. A mobilização reuniu jovens, estudantes, universitários, sindicalistas, idosos e apoiadores de partidos aliados, como o PSOL e a Unidade Popular (UP). Embora o ato tenha sido marcado pela interrupção militar, os manifestantes trocavam palavras de apoio e esperança.
Jovens empunhavam cartazes contra o “tesouraço” proposto por Flávio Bolsonaro. Outros apresentavam reflexões de cunho religioso, como a frase “Deus odiaria ver o que suas igrejas se tornaram”. Também propunham reflexões sobre a postura dos opositores, relembravam passagens bíblicas sobre os oprimidos e julgados pela sociedade e citavam a arte, as políticas públicas, o estudo e outras conquistas menosprezadas por políticos.



A equipe do Coletivo Existir Bauru, organizadora do evento, convidou ao microfone eleitores comuns, com trajetórias diversas, entre eles aposentados, professores e membros de partidos parceiros. Ao receber a palavra, Daniela, professora de educação infantil e mãe atípica, destacou a importância da educação inclusiva:
“Eu não posso me esquecer de que o governo Bolsonaro tentou institucionalizar e segregar a educação inclusiva, um direito que foi conquistado. Por meio de um decreto, ameaçava-se segregar pessoas com deficiência. Então, a gente não pode se esquecer disso. E quem revogou isso foi o governo Lula, em 2023. Pessoas com deficiência e neurodivergentes não precisam de segregação; precisam de direitos, respeito e políticas públicas.”
As falas eram marcadas por esperança, respeito e fé. Os participantes traziam reflexões sobre pesquisas recentes e reconheciam o trabalho árduo dos apoiadores. Ao apostar na identificação com o público, os organizadores mantiveram os presentes atentos e envolvidos.
Em seguida, Gabriel Placce, servidor público municipal, assumiu o microfone:
“Agora é final de Libertadores: é raça, é coração! É no domingo, a gente pegar o tio, a tia, a avó, o vô. É ter solidariedade com aquele companheiro que tem dificuldade de acessar o local de votação, oferecer uma carona. Depende da gente virar, e vamos conseguir!”
Gabriel incentivou os jovens e deu visibilidade aos eleitores que se abstiveram, justificaram a ausência, anularam o voto ou simplesmente não compareceram às urnas. Relembrou a todos a importância de comparecer e exercer o direito democrático, diante dos milhões de brasileiros que se ausentaram das votações no primeiro turno.
Além das palavras de ordem e dos discursos no palanque, conversamos com participantes que estavam no ato. Nas entrevistas, eles falaram sobre as motivações de sua presença no evento e suas expectativas para o futuro.
Quando questionada sobre o que a política representa em sua vida, Raiana, analista de operações, respondeu:
“Tudo. Hoje, eu sou uma pessoa que estuda e trabalha todos os dias pelos meus direitos e não só pelos meus, mas pelos direitos de todos.”
Depois de ouvir Raiana, também conversamos com Elza Regina, aposentada, que compartilhou sua perspectiva. Ao ser perguntada sobre o que gostaria que os jovens entendessem sobre o ato desta sexta-feira (23), ao estudarem o acontecimento no futuro, ela respondeu:
“Que a democracia foi conquistada com muito suor e que precisamos defendê-la, assim como os nossos direitos. Viva a democracia!”
A manifestação também foi marcada pela chegada da Polícia Militar ao local. A presença dos agentes interrompeu a dinâmica do ato e chamou a atenção dos participantes.

Ao longo do ato, a defesa da democracia apareceu repetidamente nas falas, acompanhada da lembrança de que os direitos reivindicados hoje são fruto de muitas lutas do passado. Havia também aquele gostinho de despedida, como se muita gente já percebesse que um ciclo está chegando ao fim.
Em meio às bandeiras e às palavras de ordem, um cartaz trouxe a frase: “Eu não sou mais um ser humano, sou uma ideia”. A declaração provoca uma reflexão que vai além da figura do presidente Lula: o que acontece com as ideias quando um ciclo termina?

Talvez a última dança não seja sobre um final, mas sobre aquilo que continua vivo na memória e nas lutas de quem acredita na comunidade.










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