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Lula Presidente
Foto: Lula Marques/Agência Brasil.
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Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito presidente da República neste domingo (25) com 51,75% dos votos válidos, ante 48,45% de Flávio Bolsonaro e conquistou pela quarta vez uma eleição para o Palácio do Planalto. Aos 80 anos, o petista consolidou uma virada inédita nas eleições presidenciais brasileiras desde a redemocratização. Até então, nenhum candidato que havia terminado o primeiro turno na segunda colocação havia conseguido reverter o resultado na etapa final da disputa.

A dimensão da vitória começa pelo cenário encontrado por Lula três semanas antes. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto o presidente ficou com 45,16%. Foram 56,1 milhões de votos para o candidato do PL e 53,8 milhões para Lula, uma diferença superior a 2,2 milhões de eleitores. O resultado colocou o presidente diante de um desafio que nenhum vencedor de uma eleição presidencial havia superado no atual período democrático: transformar uma segunda colocação no primeiro turno em vitória no segundo.

A reação ocorreu durante as três semanas que separaram as duas votações. Em uma campanha marcada pela polarização e pela disputa direta entre os dois maiores campos políticos do país, Lula conseguiu ampliar sua votação e recuperar a diferença construída pelo adversário no primeiro turno. A própria reta final indicava uma eleição praticamente aberta. Pesquisa Datafolha divulgada na véspera da votação mostrava Flávio com 51% dos votos válidos e Lula com 49%, uma diferença dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

A vitória transforma a eleição de 2026 em mais um marco de uma trajetória política iniciada muito antes da chegada de Lula ao Palácio do Planalto. Depois de disputar e perder as eleições de 1989, 1994 e 1998, o petista foi eleito presidente pela primeira vez em 2002 e reelegeu-se quatro anos depois. Retornou ao poder após vencer a eleição de 2022 e, agora, conquista um quarto mandato, tornando-se o único político brasileiro eleito quatro vezes para a Presidência da República.

O intervalo entre a primeira e a quarta vitória também ajuda a dimensionar a longevidade política de Lula. Vinte e quatro anos separam sua eleição de 2002 do resultado deste domingo. Nesse período, o país atravessou diferentes ciclos econômicos, crises políticas, mudanças na composição do Congresso e uma profunda reorganização do sistema partidário, mas Lula permaneceu como um dos personagens centrais da política brasileira. Mesmo nos períodos em que não esteve diretamente na disputa presidencial, sua influência continuou determinante sobre o Partido dos Trabalhadores e sobre o campo progressista.

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A eleição de 2026 também confirma, porém, a permanência de uma divisão política profunda no país. Flávio Bolsonaro chegou ao segundo turno depois de liderar a primeira votação e demonstrou a força eleitoral preservada pelo bolsonarismo. O novo mandato de Lula começará diante de uma oposição numerosa e de um Congresso com presença expressiva de forças de direita, cenário que deverá influenciar as negociações políticas e a capacidade do governo de aprovar sua agenda nos próximos quatro anos.

O resultado deste domingo, no entanto, ficará marcado sobretudo pela virada. Lula iniciou o segundo turno atrás do adversário, enfrentou uma disputa que permaneceu apertada até os últimos dias e terminou a eleição ampliando uma trajetória que já atravessava quatro décadas da história democrática brasileira.

Ao conquistar novamente a maioria dos votos para a Presidência, o antigo líder sindical que chegou pela primeira vez ao Planalto em 2003 alcança um feito sem precedente na política nacional contemporânea. Lula perdeu a primeira batalha nas urnas em outubro de 2026, virou a eleição três semanas depois e será, pela quarta vez, presidente do Brasil.

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