O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alcançou um empate técnico com Flávio Bolsonaro (PL) a seis dias do segundo turno das eleições presidenciais. Segundo pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (19), Lula registra 49,7% dos votos válidos, contra 50,3% do senador, diferença de apenas 0,6 ponto percentual, considerada empate técnico. O levantamento, realizado em todo o Brasil entre 16 e 18 de outubro, registra a aproximação dos candidatos após uma semana marcada pela aprovação do fim da escala 6×1 e pela mobilização de movimentos sociais, trabalhadores e apoiadores da candidatura petista.
Na pesquisa anterior, a diferença era de 3,2 pontos percentuais. A nova rodada mostra uma redução para 0,6 ponto, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. O movimento também foi registrado pela Atlas/Bloomberg, que identificou diminuição da vantagem de Flávio de 5,6 para 2,2 pontos.
A pesquisa BTG/Nexus mostra ainda que Lula registra 52,6% das intenções de voto entre mulheres e 52,8% entre jovens de 16 a 24 anos. No Nordeste, alcança 66,2%, enquanto entre eleitores com renda de até um salário mínimo chega a 59%.
Um dos acontecimentos centrais da última semana para a aproximação de Lula nas pesquisas foi a aprovação do fim da escala 6×1 pelo Congresso Nacional. A medida, defendida pelo governo e por movimentos trabalhistas, estabelece a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas semanais e amplia o descanso dos trabalhadores em 1 dia sem diminuição salarial.
A reivindicação encontra apoio de 66,2% dos entrevistados ouvidos pela BTG/Nexus. Entre aqueles que declaram voto em Lula, a aprovação chega a 91,4%. Já entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, 41,1% aprovam a medida e 48,6% a desaprovam.
O tema também expôs uma mudança na posição do candidato do PL. Depois de criticar a proposta e classificá-la como eleitoreira, Flávio anunciou apoio à redução da jornada e votou favoravelmente à medida no Senado. Durante o debate da Band, realizado no domingo (18), afirmou ter mudado de opinião após ouvir trabalhadores.
Lula reagiu questionando a experiência do adversário com a realidade dos serviços públicos e do trabalho cotidiano. O presidente acusou Flávio de desconhecer a rotina dos brasileiros que dependem do transporte coletivo e dos serviços oferecidos pelo Estado.
A mobilização popular também marcou a campanha. No último fim de semana, manifestações reuniram trabalhadores, estudantes, artistas e movimentos sociais em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Brasília. Em Copacabana, um ato musical pela democracia contou com apresentações e discursos de personalidades públicas.
Nas redes sociais, a campanha petista intensificou sua presença. Levantamento publicado pela Folha de S.Paulo identificou 6.627 anúncios vinculados aos perfis de Lula nas plataformas da Meta entre o primeiro turno e 13 de outubro, enquanto os perfis de Flávio registraram 125 anúncios no mesmo período.
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O primeiro confronto direto entre os presidenciáveis, realizado pela Band na noite de domingo, acrescentou novos episódios à disputa. Lula questionou Flávio sobre relações com o banqueiro Daniel Vorcaro, o financiamento do filme Dark Horse e a atuação política do senador que não conseguiu responder aos questionamentos.
No momento de maior tensão, o presidente propôs que ambos abrissem os sigilos bancários e telefônicos de suas famílias para permitir a investigação de eventuais irregularidades. A proposta foi apresentada diante das repetidas acusações de corrupção feitas durante o programa.
Flávio respondeu que não tinha nada a esconder, mas não confirmou expressamente que aceitaria a abertura dos sigilos nos termos propostos. Em seguida, acusou Lula de movimentar recursos não declarados, sem apresentar provas durante o confronto.
O debate também abordou o Sistema Único de Saúde. Flávio defendeu a adoção de um padrão inspirado no Hospital Albert Einstein, enquanto Lula questionou o que a proposta significaria para a rede pública e relembrou a condução da pandemia durante o governo Jair Bolsonaro. Também não houve respostas contundentes do senador.
Nesse contexto, o crescimento de Lula nas pesquisas ocorre em uma reta final marcada pela mobilização popular em defesa dos direitos trabalhistas, pela aprovação do fim da escala 6×1 e pelas cobranças enfrentadas por Flávio Bolsonaro durante o debate presidencial. A aproximação do petista também coincide com a repercussão negativa da postura agressiva do senador entre eleitores indecisos ouvidos em um grupo focal. A seis dias da votação, a disputa coloca em evidência o debate sobre a continuidade das políticas sociais, a proteção dos trabalhadores e a defesa das instituições democráticas. O segundo turno está marcado para domingo (25).










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