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Meta
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
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Centenas de manifestantes protestaram nesta segunda-feira (19), em São Paulo, contra a atuação da Meta nas eleições presidenciais brasileiras. O ato, realizado nas proximidades da sede da multinacional, na região da Faria Lima, reuniu organizações de defesa dos direitos digitais e movimentos sociais que denunciam restrições a conteúdos favoráveis ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e possível favorecimento à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). A mobilização ocorre em meio à pressão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por explicações sobre o funcionamento dos algoritmos da empresa.

A manifestação coloca em evidência o poder econômico de uma multinacional que controla três das principais plataformas de comunicação utilizadas no Brasil: Facebook, Instagram e WhatsApp. Além das denúncias de interferência política, uma pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) revelou que a companhia obteve receitas com a circulação de propaganda eleitoral irregular financiada no exterior.

Segundo levantamento do NetLab da UFRJ, divulgado em outubro, foram identificados 1.613 anúncios político-eleitorais impulsionados por contas estrangeiras ou por agentes sem autorização para realizar propaganda eleitoral no Brasil.

As publicações circularam entre julho e setembro de 2026, com pagamentos realizados predominantemente em dólares. A maior parte das páginas responsáveis estava localizada nos Estados Unidos, mas os pesquisadores também identificaram operações originadas na Itália, México, Bangladesh e Colômbia.

O estudo constatou que anúncios foram veiculados sem identificação adequada de seu caráter político. Em diversos casos, a Meta somente corrigiu a classificação depois que as publicações haviam alcançado usuários e gerado receita para a empresa.

As campanhas identificadas promoviam ou atacavam diferentes candidatos, inclusive por meio de mensagens contraditórias. O levantamento, portanto, documenta falhas na fiscalização da publicidade eleitoral, mas não estabelece que todos esses anúncios beneficiaram uma mesma candidatura.

O episódio expõe uma contradição do modelo de negócios das grandes plataformas digitais: empresas privadas recebem recursos pela circulação de publicidade política e, simultaneamente, controlam os mecanismos tecnológicos que determinam sua distribuição.

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A pressão sobre a Meta também chegou à Justiça Eleitoral. Nesta segunda-feira, o ministro Marco Aurélio Bellizze, do TSE, concedeu prazo de 24 horas para que a multinacional apresentasse informações sobre a igualdade de tratamento oferecida às campanhas presidenciais.

A decisão ocorreu depois que a empresa deixou de cumprir integralmente uma determinação anterior, que estabelecia prazo de 72 horas para apresentar esclarecimentos. A multa diária prevista para eventual descumprimento aumentou de R$ 500 mil para R$ 1 milhão.

Entre as exigências estão explicações sobre os sistemas de recomendação de conteúdos, o alcance dos anúncios eleitorais, a identificação de redes de perfis inautênticos e a classificação de publicações produzidas com inteligência artificial.

A campanha de Lula apresentou denúncias de restrições ao impulsionamento de conteúdos e tratamento desigual nas recomendações das plataformas. O próprio TSE determinou medidas para assegurar igualdade na divulgação das candidaturas, diante da possibilidade de interferência tecnológica na disputa eleitoral.

A mobilização de segunda-feira reuniu organizações como CTRL+Z, Código Não Binário, Artigo 19 e o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação. Os participantes tentaram entregar um documento à Meta, mas, segundo os organizadores, não conseguiram protocolá-lo presencialmente. O material deverá ser encaminhado por meios digitais.

As reivindicações incluem transparência sobre os critérios de moderação, mecanismos de contestação de bloqueios e responsabilização por eventuais restrições indevidas.

A Meta nega favorecer candidatos e atribui os problemas denunciados a falhas técnicas e dificuldades decorrentes da aplicação das regras eleitorais brasileiras.

Na semana anterior, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, já havia recebido representantes da empresa para discutir inteligência artificial, preservação de dados e propaganda eleitoral. Na ocasião, a multinacional assumiu compromissos relacionados ao bloqueio de impulsionamentos financiados com moeda estrangeira.

A cinco dias do segundo turno, a mobilização em São Paulo amplia uma discussão que ultrapassa as candidaturas de Lula e Flávio Bolsonaro: até que ponto empresas estrangeiras podem concentrar o controle sobre a circulação de informações políticas e obter receitas com publicidade irregular sem mecanismos efetivos de fiscalização pública?

A atuação do TSE e as cobranças das organizações civis colocam no centro do debate a necessidade de responsabilização das grandes plataformas digitais e de proteção da soberania brasileira sobre seu próprio processo eleitoral.

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