JERUSALÉM (ISRAEL) — Os partidos árabes de Israel iniciaram nesta segunda-feira (2) uma articulação conjunta para impedir que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu permaneça no poder. Lideranças da Lista Conjunta e da Lista Árabe Unida realizaram o primeiro encontro desde as eleições legislativas de 27 de outubro, com o objetivo de coordenar uma posição política antes das consultas que o presidente Isaac Herzog começará na quarta-feira (4) para definir quem receberá a missão de formar o próximo governo.
A reunião representa um avanço nas negociações entre os dois grupos, que conquistaram juntos 19 cadeiras no Parlamento, mas ainda não haviam estabelecido uma estratégia comum após a votação. O encontro reuniu Ahmad Tibi, Yousef Jabareen, Bakr Awawdeh e Mansour Abbas, representantes de diferentes correntes políticas da população árabe de Israel.
Foi Tibi quem tornou pública a iniciativa. Em uma fotografia compartilhada na rede social X, o parlamentar apresentou o encontro como uma reunião de coordenação e consulta e declarou que o objetivo é substituir o governo de Netanyahu, Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich por uma administração de mudança.

A disposição de agir conjuntamente não significa, entretanto, que todas as divergências tenham sido superadas. A Lista Conjunta admite apoiar um governo alternativo sem integrar o gabinete ministerial. Tibi já declarou que não pretende ocupar ministérios, mas está disposto a oferecer sustentação parlamentar para viabilizar a substituição de Netanyahu.
Mansour Abbas, líder da Lista Árabe Unida, adota uma posição diferente. Seu partido considera participar diretamente de uma coalizão liderada por Gadi Eisenkot, principal nome da oposição para assumir o governo.
Essa diferença será importante nas próximas negociações. Enquanto a Lista Conjunta trabalha com a possibilidade de apoiar uma administração sem fazer parte dela, Abbas admite assumir responsabilidades dentro do Executivo. Por enquanto, a convergência está concentrada na escolha de um caminho para afastar Netanyahu.
A articulação acontece em paralelo à aproximação de outras forças políticas em torno de Eisenkot. O partido liderado pelo ex-primeiro-ministro Naftali Bennett anunciou que recomendará seu nome ao presidente. Os Democratas, de Yair Golan, também sinalizaram apoio, enquanto Avigdor Lieberman, do Yisrael Beiteinu, manifestou a mesma intenção.
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Se todos os 19 parlamentares árabes acompanharem os 48 deputados do bloco de oposição, Eisenkot poderá reunir 67 recomendações, acima das 61 cadeiras que representam a maioria absoluta do Knesset. A conta, porém, não corresponde necessariamente a um acordo de governo.
Parte da oposição ainda resiste à participação dos partidos árabes em uma coalizão. O próprio bloco de Eisenkot reúne lideranças que, durante a campanha, descartaram essa possibilidade. A reunião desta segunda-feira, portanto, resolve uma questão entre os representantes árabes, mas deixa outra em aberto: a disposição de seus possíveis aliados para aceitar essa colaboração.
Na quarta-feira, Herzog ouvirá os partidos antes de decidir a quem confiará a formação do governo. A indicação presidencial não encerra as negociações, mas abre uma nova etapa na disputa pelo poder.
Os partidos árabes chegam a esse momento com uma posição mais coordenada e um objetivo declarado. O próximo passo será transformar essa disposição em recomendações formais e, eventualmente, em votos capazes de sustentar um governo alternativo. A reunião abriu o diálogo entre as lideranças; a formação de uma maioria ainda dependerá das decisões de toda a oposição.









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