O “L de Lula”, símbolo utilizado por apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a campanha eleitoral brasileira, ganhou projeção internacional após a vitória do petista no segundo turno, realizado no domingo (25). Lideranças políticas da Espanha e do México reproduziram o gesto publicamente, enquanto movimentos de esquerda na França e na Argentina começaram a utilizar estratégias de mobilização digital semelhantes às adotadas no Brasil.
Na Espanha, a ex-prefeita de Barcelona Ada Colau convocou participantes de um comício da coalizão Frente Ampla, realizado no domingo, em Móstoles, na região de Madri, a erguer os braços e formar a letra “L” com os dedos. A manifestação ocorreu antes da confirmação da vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL).
Durante o ato, Colau associou o símbolo brasileiro à campanha eleitoral espanhola, marcada para 29 de novembro, e à defesa da causa palestina. O gesto foi acompanhado por militantes presentes no encontro.
O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, também passou a utilizar o resultado brasileiro como referência em sua campanha eleitoral. Durante um comício em Gijón, no norte do país, Sánchez declarou: “Se o Brasil conseguiu, a Espanha consegue”.
O Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), liderado por Sánchez, disputará as eleições gerais antecipadas de novembro. A vitória de Lula passou a ser mencionada por dirigentes socialistas em manifestações públicas sobre a disputa com os partidos de direita espanhóis.
No México, a presidente Claudia Sheinbaum reproduziu o “L de Lula” durante sua entrevista coletiva de segunda-feira (26), no Palácio Nacional, na Cidade do México. A manifestação ocorreu um dia depois da confirmação do resultado das eleições brasileiras.
Sheinbaum parabenizou Lula e o povo brasileiro e descreveu a vitória como uma renovação política para a América Latina e o Caribe. A presidente mexicana também conversou por telefone com o petista na terça-feira (27), quando os dois discutiram a possibilidade de encontros oficiais no Brasil e no México.
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Na França, apoiadores de Jean-Luc Mélenchon, liderança da França Insubmissa, passaram a organizar canais de comunicação inspirados no canal “Exército do Lula”, liderado por André Janones (REDE-MG) que reuniu mais de 10 milhões de participantes. Um deles, denominado “L’équipe de Mélenchon officielle”, já reunia mais de 46 mil participantes.
O deputado francês Antoine Léaument mencionou diretamente a campanha brasileira ao apresentar a iniciativa. Em vídeos divulgados no TikTok, militantes também adaptaram o gesto de Lula: primeiro formam a letra “L” com os dedos e depois movimentam as mãos para representar o “M” de Mélenchon.
A mobilização ocorre durante a preparação para as eleições presidenciais francesas de abril de 2027. Mélenchon havia manifestado apoio à reeleição de Lula antes da votação brasileira e voltou a comemorar o resultado depois da apuração.
Outros dirigentes franceses também celebraram a vitória do presidente brasileiro. Fabien Roussel, do Partido Comunista Francês, classificou o resultado como uma mensagem de esperança e afirmou que a extrema direita pode ser derrotada eleitoralmente.
Na Argentina, militantes ligados ao peronismo anunciaram a criação do “Exército do Peronismo”, iniciativa que reproduz o modelo de organização em aplicativos de mensagens utilizado por apoiadores de Lula. A mobilização busca reunir integrantes da oposição ao presidente Javier Milei e já contava com mais de 40 mil participantes, segundo informações divulgadas nesta semana.
O deputado André Janones também passou a receber atenção internacional após a eleição brasileira. Segundo a imprensa, Pedro Sánchez o convidou para colaborar com atividades relacionadas à campanha socialista espanhola, enquanto Claudia Sheinbaum manifestou interesse em recebê-lo no México para uma visita de trabalho.
Nos Estados Unidos, ativistas ligados ao campo progressista começaram a compartilhar conteúdos sobre as estratégias digitais utilizadas durante a campanha presidencial brasileira. A discussão ocorre às vésperas das eleições legislativas norte-americanas de novembro.
A circulação do “L de Lula” que marcou a mobilização dos apoiadores do presidente durante a disputa eleitoral, passou a ser mais do que um símbolo brasileiro. Passou a representar a democracia, os direitos sociais e a resistência contra o avanço da extrema direita internacional.






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