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Foto: Ricardo Stuckert/PR
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A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ganhou nesta segunda-feira (26) uma dimensão que ultrapassa as fronteiras brasileiras. O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, classificou o resultado como uma vitória das forças progressistas e do Sul Global, associando a continuidade do governo brasileiro ao fortalecimento da cooperação entre países que reivindicam maior participação nas decisões internacionais.

Em comunicado publicado pela Presidência sul-africana, Ramaphosa afirmou que o resultado brasileiro terá repercussões internacionais.

“Esta vitória ecoará além das fronteiras do Brasil. É uma vitória para o Sul Global e para as forças progressistas em todo o mundo”, declarou o presidente.

Ele também reafirmou o compromisso de aprofundar as relações bilaterais e a atuação conjunta em organismos multilaterais. As duas nações integram o BRICS, o Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul (IBAS), o G77+China e o G20, espaços nos quais defendem mudanças nas regras do comércio internacional, nas instituições financeiras e na representação política global.

O BRICS tornou-se um dos principais instrumentos dessa articulação. Com a ampliação do grupo nos últimos anos, o bloco passou a reunir economias e regiões com diferentes interesses, mas que compartilham reivindicações por reformas na governança global. Para o Brasil, a participação nesse espaço oferece possibilidades de diversificação das relações econômicas e de articulação diplomática para além dos centros tradicionais de poder.

O apoio de Ramaphosa também encontra fundamento em compromissos estabelecidos antes das eleições. Em março deste ano, o presidente sul-africano realizou uma visita de Estado ao Brasil, quando se reuniu com Lula em Brasília para discutir comércio, investimentos e cooperação estratégica. Na ocasião, afirmou que os dois países deveriam trabalhar por regras internacionais mais justas e capazes de responder às necessidades do Sul Global.

Ramaphosa também recordou a solidariedade brasileira à luta contra o apartheid, sistema de segregação racial que vigorou em seu país até a transição democrática dos anos 1990. A referência estabelece uma ligação entre a cooperação contemporânea e experiências históricas de enfrentamento à discriminação, ao colonialismo e à exclusão política.

A aproximação possui resultados econômicos mensuráveis. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o intercâmbio comercial entre Brasil e África do Sul alcançou US$ 2,3 bilhões em 2025, com crescimento de 11,6% em relação ao ano anterior.

A ampliação do comércio, a integração de cadeias produtivas, a cooperação tecnológica e a participação conjunta nos organismos multilaterais constituem instrumentos pelos quais os dois governos procuram transformar afinidades diplomáticas em maior capacidade de atuação internacional.

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A cooperação entre Brasília e Pretória integra um movimento de contestação à distribuição desigual de poder nas instituições internacionais. Países do Sul Global reivindicam maior influência sobre organismos criados em um contexto histórico de predominância das potências ocidentais, especialmente nas decisões sobre financiamento, segurança internacional, desenvolvimento econômico e comércio.

Ao mencionar expressamente as forças progressistas, Ramaphosa inseriu o resultado em uma disputa que ultrapassa a política nacional e envolve diferentes projetos de desenvolvimento, soberania e organização das relações entre Estados.

Para o presidente sul-africano é preciso ampliar a capacidade de países historicamente subordinados nas relações econômicas internacionais de participar da definição das regras que afetam suas populações.

A mensagem de Ramaphosa, portanto, deve ser compreendida também como uma reafirmação do projeto de cooperação construído entre os dois países. Ao tratar a reeleição de Lula como uma vitória do Sul Global, o presidente sul-africano atribuiu ao resultado brasileiro um significado político relacionado à continuidade dessa agenda internacional.

O que está em disputa não é apenas o fortalecimento de relações bilaterais, mas a possibilidade de países da África, América Latina e Ásia ampliarem sua participação nas decisões que definem os rumos da economia e da política mundial.

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