PORTO ALEGRE (RS) — O projeto social Cozinheiros do Bem, de Porto Alegre (RS), distribuiu refeições com picanha para mais de 500 pessoas em situação de vulnerabilidade neste sábado (31), apesar da retirada de doações e patrocínios relatada por seu fundador, o chef Julio Ritta, após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A iniciativa também respondeu às provocações do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que havia ironizado publicamente a perda de financiadores.
A controvérsia começou depois que Julio declarou ter votado em Lula para impedir a eleição de Flávio Bolsonaro (PL). Segundo o cozinheiro, empresários que colaboravam com o projeto decidiram suspender contribuições, incluindo o fornecimento de lenha, grelhas e passagens para o rapper MV Bill, convidado para a comemoração dos 11 anos da iniciativa.
Na quinta-feira (29), Nikolas compartilhou um vídeo do fundador e ironizou a situação. O parlamentar questionou por que o projeto deveria continuar recebendo recursos de pessoas que, segundo ele, haviam sido ofendidas pelo chef durante a disputa eleitoral.
A resposta veio das cozinhas montadas sob o Viaduto da Conceição. Com a participação de voluntários, o grupo preparou risoto à parisiense, picanha ao molho demi-glace, salada, suco e sobremesa. A distribuição foi apresentada por Julio em um vídeo divulgado nas redes sociais.
“Vocês acharam que iam me derrubar, hein, seu moleque Nikolas Ferreira?”, provocou o cozinheiro, antes de lembrar que desenvolve o trabalho de combate à fome há mais de uma década.
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Julio também questionou a postura religiosa do deputado, que frequentemente utiliza referências cristãs em seus pronunciamentos. Ao defender o atendimento às pessoas em situação de rua, afirmou que sua concepção de cristianismo está associada à solidariedade concreta.
“O meu Cristo é esse. E ele não carrega uma cruz. Ele carrega um monte de cooler cheio de comida”, declarou, apontando para os recipientes utilizados na distribuição das refeições.
Fundado em 2015, o Cozinheiros do Bem realiza ações de combate à fome e também participou do atendimento à população durante as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024.
A continuidade da distribuição demonstra que a retirada de contribuições não impediu a ação deste fim de semana. O episódio mostra uma dimensão da intolerância política que ganhou visibilidade após as eleições: a tentativa de transformar divergências eleitorais em punição econômica, mesmo quando os efeitos atingem pessoas que dependem de assistência alimentar.
No Viaduto da Conceição, a resposta à controvérsia não ficou restrita às redes sociais. Enquanto o debate político se concentrava em quem deveria financiar o projeto, mais de 500 pessoas receberam uma refeição preparada pelos voluntários.










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