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Protestos pelo Mundo
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Das docas do Mediterrâneo às ruas tomadas por estudantes em Jacarta, a última semana de outubro foi marcada por manifestações que colocaram diferentes governos sob pressão. Embora tenham causas locais, muitos dos atos compartilharam elementos semelhantes: insatisfação com o custo de vida, defesa de serviços públicos, contestação à militarização e mobilização de uma geração que passou a ocupar as ruas em diferentes partes do mundo.

O Protestos pelo Mundo reúne os principais movimentos registrados entre 25 e 31 de outubro.

Portuários cruzam os braços contra o transporte de armas

Uma das maiores mobilizações internacionais da semana ocorreu nesta sexta-feira (30), quando trabalhadores portuários realizaram paralisações coordenadas contra o transporte de armas e os impactos das guerras sobre trabalhadores marítimos.

Mais de 25 sindicatos apoiaram a mobilização em 113 portos de 22 países, segundo informações reunidas pela Reuters. A articulação alcançou terminais como Hamburgo, Valencia, Le Havre, Algeciras, Pireu e Gênova, além de portos no Marrocos e na Índia.

A convocação começou entre sindicatos de Itália, França, Grécia, País Basco, Turquia e Marrocos e ganhou dimensão internacional. Em Pireu, na Grécia, trabalhadores interromperam operações e serviços de balsas. Sindicatos afirmaram que a mobilização buscava enviar uma mensagem contra a guerra e impedir que portos sejam utilizados como corredores para o comércio de armamentos.

A greve também incorporou reivindicações por melhores salários e condições de trabalho, aproximando o movimento contra a guerra das disputas trabalhistas que atravessam diferentes países.

Itália tem greve geral e protestos em mais de 40 cidades

Na Itália, a paralisação dos portuários se encontrou com uma mobilização ainda maior. A Unione Sindacale di Base (USB) convocou uma greve geral de 24 horas, acompanhada por manifestações em mais de 40 cidades.

Dezenas de milhares de trabalhadores e estudantes foram às ruas para reivindicar aumento salarial, fortalecimento dos serviços públicos e medidas contra o aumento do custo de vida. Outra bandeira central foi a oposição à ampliação dos gastos militares.

Em Gênova, cerca de 15 mil portuários, estudantes e manifestantes entraram na região portuária, conectando a greve italiana ao movimento internacional contra o transporte de armas.

Houve tensão em algumas cidades. Em Turim, a polícia utilizou canhões de água contra estudantes e militantes de esquerda que se aproximaram de um perímetro de segurança. Em Roma, manifestantes marcharam perto do Coliseu e um grupo tentou avançar em direção ao Parlamento antes de ser dispersado.

A maior parte das manifestações, no entanto, ocorreu de maneira pacífica.

Indonésia: estudantes protestam contra incêndios florestais

Na Ásia, centenas de estudantes e integrantes de organizações da sociedade civil ocuparam ruas de Jacarta e outras cidades da Indonésia na quarta-feira (28).

A principal reivindicação foi uma resposta mais contundente do governo do presidente Prabowo Subianto aos incêndios florestais que atingem o país. A Indonésia enfrenta sua pior temporada de queimadas e fumaça em 11 anos, agravada pelas condições associadas ao fenômeno El Niño.

Manifestantes usando máscaras contra a poluição pediram que os incêndios fossem declarados desastre nacional. Também houve atos em Makassar e Bandung.

A mobilização ambiental se misturou a críticas mais amplas às prioridades econômicas do governo. Parte dos estudantes pediu que recursos destinados a programas considerados populistas fossem redirecionados para enfrentar a crise ambiental.

Nos cartazes apareceu também um símbolo que vem cruzando movimentos juvenis em diferentes países: o gesto de três dedos popularizado pela série Jogos Vorazes. Entre as palavras de ordem, manifestantes exibiram a frase “se nós queimarmos, vocês queimam conosco”.

República Tcheca: milhares defendem mídia pública

Em Praga, milhares de pessoas ocuparam a Praça da Cidade Velha no domingo (25) em defesa da independência da televisão e do rádio públicos.

O protesto ocorreu depois que parlamentares deram aprovação inicial a uma mudança na forma de financiamento da mídia pública. A proposta pretende substituir as taxas pagas pelas famílias por recursos vindos diretamente do orçamento estatal.

Organizações de defesa da imprensa alertam que a mudança pode tornar a televisão e o rádio públicos mais vulneráveis à interferência política.

O governo do primeiro-ministro bilionário Andrej Babis, apoiado pelo partido de extrema direita SPD, acelerou a votação da proposta. O debate foi levado ao Parlamento fora da ordem prevista e terminou com uma votação durante a madrugada.

Na praça, manifestantes responderam com gritos de “renúncia” e “já chega”. Os organizadores anunciaram novas mobilizações.

A proposta também prevê uma redução de aproximadamente 15% no financiamento da televisão e da rádio públicas.

Cisjordânia: palestinos protestam contra deslocamentos em Hebron

Na Cisjordânia ocupada, palestinos realizaram uma manifestação em Hebron na terça-feira (27) contra uma operação militar israelense que deslocou milhares de moradores.

Homens, mulheres e crianças participaram do ato. Um dos cartazes pedia o fim da “punição coletiva”, dos bloqueios e dos deslocamentos. Tropas israelenses utilizaram uma granada de efeito moral para dispersar os manifestantes.

Segundo as Nações Unidas, mais de 3 mil palestinos haviam sido obrigados a deixar suas casas durante a operação militar realizada nos bairros próximos a um posto onde dois soldados israelenses foram mortos na semana anterior.

A manifestação ocorreu no mesmo dia das eleições israelenses, em um momento em que a expansão dos assentamentos e a política do governo para a Cisjordânia ocupada permanecem no centro da disputa política do país.

Uma semana de ruas ocupadas

Os protestos desta semana não formam um movimento único e tampouco respondem às mesmas condições políticas. Mas revelam uma sequência de conflitos que atravessa sociedades muito diferentes.

Portuários transformaram o local de trabalho em espaço de oposição à guerra. Estudantes indonésios ligaram a emergência ambiental à discussão sobre prioridades do Estado. Na República Tcheca, milhares defenderam instituições públicas de comunicação. Na Itália, salários, serviços públicos e gastos militares apareceram na mesma mobilização. Na Cisjordânia, moradores protestaram contra o deslocamento provocado pela ocupação militar.

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