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Willer Tomaz
Foto: Senado Federal
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Willer Tomaz, advogado e amigo pessoal de Flávio Bolsonaro (PL), movimentou cerca de R$ 5 bilhões em apostas ao longo de 2025 e foi o maior apostador do país naquele ano, segundo nota técnica da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda. Três anos antes, seu nome chegou a ser articulado para uma vaga no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com apoio atribuído a Flávio e à bancada bolsonarista no Congresso.

A aproximação chama atenção porque o CNJ não é apenas um órgão administrativo. Pela Constituição, o Conselho controla a atuação administrativa e financeira do Judiciário e fiscaliza o cumprimento dos deveres funcionais dos magistrados. Pode receber reclamações, instaurar procedimentos disciplinares e aplicar sanções administrativas em casos envolvendo juízes.

Em 2023, Tomaz era cotado para ocupar uma das vagas do Conselho destinadas à indicação da Câmara dos Deputados. Segundo dois magistrados de tribunais superiores ouvidos pela Folha de S.Paulo, ele contava com o apoio de Flávio Bolsonaro e de integrantes da bancada bolsonarista e era considerado um homem de confiança do senador.

O advogado acabou desistindo da disputa em meio à repercussão de seu histórico. Em 2017, Tomaz havia sido preso durante uma investigação relacionada à delação de Joesley Batista, da JBS, sob suspeita de intermediar pagamento de propina em troca de informações privilegiadas. A denúncia contra ele acabou rejeitada pela Justiça, e o advogado sempre negou ter cometido irregularidades. Agora, o nome de Tomaz volta ao centro das atenções por movimentações no mercado de apostas.

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A nota técnica da Fazenda aponta que ele movimentou aproximadamente R$ 5 bilhões em apostas na Blaze durante 2025, considerando valores ganhos, reapostados ou perdidos dentro da plataforma. Em depósitos e saques, foram cerca de R$ 350 milhões, volume mais de 60% superior ao registrado pelo segundo colocado no levantamento. Tomaz também teria sacado mais de R$ 200 milhões.

O documento registra operações consideradas atípicas. Em 30 de outubro de 2025, por exemplo, Tomaz teria realizado depósitos que somaram R$ 7 milhões em diferentes momentos do dia. Na manhã seguinte, foram 12 saques de R$ 500 mil em apenas 18 minutos, totalizando R$ 6 milhões. Dias depois, segundo a secretaria, ele fez apostas que somaram R$ 5 milhões e obteve R$ 7 milhões em ganhos em um intervalo de cinco minutos.

A Polícia Federal investiga as movimentações e apura se operações envolvendo Tomaz podem ter sido utilizadas para ocultar a origem de recursos. O advogado afirma que o dinheiro tem origem lícita, é compatível com seus rendimentos e está declarado à Receita Federal. Ele também contesta os valores apresentados na documentação da Fazenda.

A relação com Flávio Bolsonaro vai além do apoio político recebido por Tomaz em 2023. Uma holding ligada ao advogado e ao setor de apostas pagou voos entre Portugal e França para Flávio em 2025. Os dois viajaram juntos durante o período. Flávio afirmou posteriormente que a relação entre eles é exclusivamente de amizade e rejeitou qualquer tentativa de vincular essa proximidade a irregularidades.

A situação ganhou dimensão adicional porque a PF também enviou ao Supremo Tribunal Federal um pedido relacionado a uma investigação envolvendo Tomaz e Flávio. A campanha do candidato afirma que Flávio não é formalmente investigado no STF e argumenta que ainda não houve decisão judicial ou manifestação da Procuradoria-Geral da República que transforme o material recebido pela Corte em inquérito contra ele.

O caso também colocou a própria Blaze sob escrutínio. A Secretaria de Prêmios e Apostas concluiu que a empresa falhou na identificação e no acompanhamento de operações consideradas de atenção especial e classificava Tomaz como cliente de risco médio apesar do volume movimentado. A Fazenda recomendou que seja avaliada até mesmo a suspensão das atividades da companhia, que pode sofrer sanções administrativas. A Blaze afirma cumprir a legislação brasileira e adotar mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro.

O episódio conecta dois momentos da trajetória recente de Willer Tomaz. Em 2023, o advogado circulava nos bastidores de Brasília como possível integrante de um órgão responsável por fiscalizar a administração do Judiciário e a conduta funcional de magistrados. Em 2026, aparece no centro de uma investigação federal sobre movimentações financeiras bilionárias no setor de apostas.

A proximidade política com Flávio Bolsonaro não demonstra participação do candidato nas operações investigadas. Mas acrescenta relevância pública ao caso: um personagem que contou com apoio político para ocupar uma das principais instituições de controle do Judiciário hoje tem suas movimentações financeiras examinadas pela Polícia Federal e pelo Ministério da Fazenda.

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